Comunicação não-violenta: como lidar com emoções e expressá-las

O lidar com emoções e saber expressá-las pode dizer muito sobre uma pessoa. Muitas vezes o confronto pode levar a situações desagradáveis e nos prejudicar frente a oportunidades. Por isso é importante utilizar a comunicação não-violenta no dia a dia.

A Escola Conquer compartilha dados da TalentSmart, segundo eles 58% do desempenho profissional de uma pessoa depende de sua inteligência emocional.

Pode ser difícil entender a dimensão dessa necessidade. Entretanto, fica mais claro sua importância quando pensamos em profissões que são “à flor da pele” e exigem maior domínio emocional, como cirurgiões, policiais e bombeiros.

Por esse motivo, vamos conversar sobre como lidar com emoções, como expressá-las. E, principalmente, de que forma a comunicação não-violenta pode te ajudar.

 

O estourado e o passivo-agressivo

Antes de mais nada, acho interessante a gente conhecer a história de dois personagens, o Paulo Souza e o Guilherme Fagundes. O dois vão nos ajudar a entender os conceitos com mais profundidade.

Paulo Souza trabalha no setor vendas de uma empresa de bebidas, sendo sua responsabilidade garantir o sucesso da equipe quanto as metas estabelecidas. Paulo não nega a ninguém seu temperamento: é tomou, levou. Ele não leva desaforo para casa ou engole sapo.

Na verdade, aproveita o momento em que o conflito é gerado para resolvê-lo. Mas isso já o prejudicou por não ter analisado certas situações com o devido cuidado. Inclusive, ele é conhecido na firma como o estourado.

Já o Guilherme trabalha no mesmo setor que Paulo, só que ele é um dos subordinados. Ele tenta sempre manter um bom número de vendas e tem estratégias tão boas que conseguiu carregar a meta do time algumas vezes.

O problema do Guilherme é que se considera “tímido demais” para falar o que pensa. De fato, ele sente que suas emoções são como uma chaleira: vão esquentando aos poucos. E ele só põe para fora quando tudo dentro de si tá em ebulição.

Seus colegas de trabalho gostam de brincar que ele é quietinho, mas quando esquenta é melhor sair de perto!

Agora que conhecemos os dois, vamos nos aprofundar mais sobre a comunicação não-violenta.

 

Comunicação não-violenta: o que é e como surgiu?

Marshall Rosenberg foi quem deu início ao movimento da comunicação não-violenta. O psicólogo teve uma infância bastante conturbada, o que fez ele se questionar como alguém que não recebera tanto afeto poderia expressá-lo.

Em meados dos anos 1960, no meio do período severo de racismo e tensão política que os Estados Unidos viviam, Marshall começou a implementar a técnica de comunicação não-violenta em escolas e universidades.

Essa postura foi de extrema relevância para a época, já que brancos e negros começavam a coabitar novos espaços. Contudo, uma das anedotas mais conhecidas de Marshall Rosenberg, aconteceu na África.

A partir de seus estudos de Comunicação Não-Violenta, o pesquisador conseguiu aliviar tensões que acontecia entre uma comunidade e missionários. Esta que, inclusive, havia resultado em algumas mortes.

A resolução acabou acontecendo por meio da diplomacia e da exposição de necessidades, desejos e pedidos.

 

Expressar emoções é ser uma pessoa frágil?

Todos temos, em algum nível, dificuldades para expressar o que estamos sentindo. Lidar com emoções pode ser algo bastante complexo. Inclusive, há muitas pessoas que acreditam que expressar emoções é se tornar frágil.

Grande parte dessa influência está vinculada ao machismo presente em nossa sociedade. Você, por exemplo, já deve ter ouvido que “homem não chora”.

Não se engane. Saber lidar com as próprias emoções é habilidade que demonstra maturidade. Além disso, ao fazer isso, você está fazendo mais bem a si do que ao outro.

 

Emoções, sentimentos e não-sentimentos

Dessa forma, sempre há muitas dúvidas em relação a o que são as emoções e os sentimentos. Claudia Feitosa-Santana, pesquisadora de Neurociência, faz uma diferenciação muito boa.

Em um bate-papo na Casa do Saber, a pesquisadora explica que:

as pistas do corpo (aumento da frequência cardíaca, suor excessivo, tremor etc.) são as emoções. Enquanto os sentimentos são nossas interpretações pessoais a todos esse cenário (tristeza, felicidade, ira etc.)”

Dentro desse campo, temos espaço para outro conceito. Segundo Marshall Rosenberg, há momentos em que expressamos Não-Sentimentos.

Ao invés de Paulo (nosso personagem do início do artigo) dizer que está com raiva, por exemplo, ele pode falar que “está sendo prejudicado pelo mau desempenho do grupo”.

Note que, no momento em que diz “estar sendo”, ele passa a responsabilidade da ação ao outro. Ou seja, ele tira de si a carga de seus próprios sentimentos, anulando-os, de certa forma.

 

Divertidamente e o papel dos Sentimentos

Com Guilherme, o que acontece é diferente, ele percebe as coisas acontecendo em si, mas tem dificuldades para expressá-las. Por isso que tudo termina no “Tá tudo bem”. Enquanto no fundo, ele sabe que Paulo age injustamente ao não considerar a boa performance do colaborador.

Se os dois tivessem assistido ao filme “Divertidamente”, provavelmente, teriam maior noção de como se expressarem. Esse filme é uma boa metáfora de como agirmos. E para entender isso, é melhor usarmos o título em inglês “inside out” que significa “de dentro para fora”.

Bom, como vemos no filme, quando somos crianças temos maior facilidade de dizer o que estamos sentindo: Estou com medo, estou triste, estou alegre, mas isso vai se tornando nebuloso ao crescermos. Principalmente devido à nossas necessidades sociais.

 

São apenas emoções e sentimentos

Um grande problema que temos socialmente, por exemplo, é quanto ao valor dos sentimentos. Há quem separe os sentimentos em bons e ruins.

Isso não está certo, na verdade. Nenhum dos dois vem com nenhum peso ou carga. É o nosso crivo que coloca eles em caixas.

Muitas vezes a raiva pode ser fazer bem ao descarregar tudo que estou sentido. Claro, sem interferir no espaço do outro, ou mesmo a tristeza pode ser revigorante. Os antigos diziam que o choro lava a alma.

Então, é importante entender que não existem emoções ou sentimentos bons ou ruins. Na verdade, eles são necessários. Se você está transbordando em alegria, é seu corpo se comunicando contigo, caso o medo esteja te assombrando, pode ser a hora de enfrentá-lo.

Mesmo assim, você não precisa fazer isso sozinho, há os profissionais que lidam com a saúde mental e autoconhecimento estão aí para isso.

 

Mahatma Ghandi: o poder da não-violência

Para ilustrar de maneira consistente, gostaria de trazer o exemplo de Mahatma Ghandi para nossa conversa. Este honorável indiano foi um dos responsáveis pela independência da Índia.

Na época, ele conseguia encher as ruas com protestantes. E, o melhor de tudo: eles usavam apenas palavras. Em alguns episódios chegaram a sentar em praça pública.

Isso fez Mahatma Ghandi ser tonar referência mundial de protestos não-violentos e os percursores de práticas pacifistas. Então, se Mahatma Ghandi conseguiu retirar o domínio inglês da Índia, acho que Paulo, Guilherme e você, também, podem aprender a resolver conflitos de maneira mais ordeira.

 

Como lidar com emoções e Comunicação não-violenta em 4 passos

Então, o que me diz? Vamos aprender os 4 passos que levam a uma comunicação não-violenta?

 

Passo 1: Observação

A primeira questão a ser feita é ter um panorama da situação sem empregar juízo de valor.

Assim, ao invés de pensar “Paulo é muito egoísta, só pensa em si no momento de apresentar as metas”, Guilherme poderia pensar “o prazo para fechamento das vendas está acabando, por isso Paulo está cobrando os resultados do período.”

É uma diferença de abordagem que muda o enfoque dado pela mente. Se pensasse na palavra “egoísta” toda a resolução do problema seria reduzida a um possível caráter do outro colaborador que “daria a situação por resolvida”, ele é egoísta e ponto.

Como você deve imaginar, essa mudança de percepção também pode ser trabalhada com a ajuda da PNL, aqui você conhece mais como.

 

Passo 2: Sentimento

Na sequência, é muito importante que você consiga dizer o que está sentindo:

  • Estou com raiva.
  • Estou ansioso.
  • Estou triste.
  • Estou com medo.

Isso ajuda a entender porque esse sentimento iniciou, lembre-se: não são os sentimentos que precisam serem tratados, eles são apenas o termômetro. O que precisa ser identificado são os gatilhos e os problemas que levaram àquele sentimento.

 

Passo 3: Necessidades

A necessidade é justamente o que desencadeia o sentimento. O Guilherme pode se sentir triste porque Paulo apenas deu foco ao fato da data limite estar chegando ao fim. Isso por ter acontecido, mesmo que Guilherme tenha tido um ótimo desempenho.

Assim, o que vemos aqui é a necessidade de “reconhecimento”.

 

4 – Pedido

O último passo, depois de toda a análise feita é saber realizar o pedido. Esse é o momento que você realmente vai lidar com as emoções e expressá-las. No caso da empresa de bebidas, um bom pedido poderia ser feito da seguinte forma:

Paulo diz: Guilherme, o prazo para fechamento da meta está se esgotando, precisamos intensificar as vendas para manter o bom desempenho do setor.

Ou, no caso de uma intervenção inadequada, Guilherme poderia dizer: Paulo, o modo como você está se dirigindo a mim me entristece, pois, meu desempenho do período atual foi superior ao anterior, eu gostaria que você levasse isso em consideração.

Claro que estamos lidando com um recorte ficcional, mas você precisa adaptar a sua realidade, recapitulando:

  1. Identifique a situação.
  2. Veja o que isso lhe causa.
  3. Qual necessidade precisa ser sanada?
  4. Faça o pedido.

Então, o que você achou da Comunicação Não-Violenta? Quer descobrir outras estratégias de autoconhecimento e relacionamento com o outro? É só seguir o Instituto Pérola no Instagram e participar das nossas lives, venha construir conhecimento com a gente!

 

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